Periguete não sente frio? Mas, isso é mesmo da sua conta?

Periguete

Com o passar dos anos nós vamos questionando muitas das nossas atitudes e o porque de agirmos de determinada forma. Eu, particularmente nunca fiz esse tipo de comentário até porque sempre fui adepta das roupas curtas e apertadas, o que vem mudando agora com o passar do tempo, como inclusive já comentei no post de estréia do blog. Entretanto, essa não é uma mudança planejada, mas sim algo que está ocorrendo naturalmente. Agora, a reflexão proposta é: Porque a roupa de outra mulher te incomoda tanto? Se ela não sente frio, esse é um problema único e exclusivo dela, ela que vai ficar tremendo, de nariz escorrendo, e em casa no próximo fim de semana com um resfriado. Então porque você está incomodada? É muito importante nós nos conhecermos e sabermos identificar de onde realmente vem os motivos da nossa raiva ou do nosso desprezo. Se uma coisa nos incomoda ao ponto de merecer a nossa atenção e comentário é porque existe um motivo que tem relação direta com nós mesmos e não apenas com o outro. Existem muitos motivos para uma mulher sair com pouca roupa mesmo em dias frios, mas nenhum deles desrespeito a você. Pode ser que essa mulher seja insegura com ela mesma, ou que ainda acredite no que a sociedade tentou nos convencer por muitos anos, de que o seu valor estava relacionado única e exclusivamente a sua capacidade de chamar a atenção dos homens, pode ser que ela realmente tenha menor sensibilidade ao frio, e pode ser simplesmente que ela gosta e se sente tão bem com aquele tipo de roupa que supera o esforço de sentir frio. Ou você nunca fez um esforço por algo que te deixa bem? que aumenta sua auto estima? que te deixa mais feliz?  A forma como as pessoas se vestem muito tem a ver com a sua cultura, com o seu ambiente de crescimento, e com diversos outros fatores pessoais e ambientais. É por isso que uma campanha de publicidade não consegue atingir nichos completamente diferentes. A equipe precisa estudar e conhecer bem o seu público alvo, senão todo o esforço e dinheiro gasto com a campanha serão em vão. Ou seja, as pessoas possuem percepções diferentes do que é chique, vulgar, sexy, bonito ou feio. Ainda bem!! Ninguém se importa se uma freira sai com roupas longas, escuras e um pano quente na cabeça no verão absurdo do nosso país tropical, mas basta chegar o inverno para essa frase tão preconceituosa e pejorativa sambar nos lábios de homens e mulheres. Esse tipo de comentário só reforça uma cultura machista que atribui o valor e respeito que um ser humano deve receber pela roupa que ele usa, ou em um sentido mais amplo, por aquilo que ele tem. É por meio de piadas e frases “inofensivas” como esta, que muitas  pessoas justificam estupros, abusos de poder e assédio moral contra nós mulheres. Sempre que for fazer um comentário sobre outra mulher tente SEMPRE se perguntar se esse comentário também poderia ser usado para homens. Você chamaria um homem de vulgar? Alguma vez você chamou um homem de “perigueto” ou “vadio” por sair de camiseta regata ou bermuda no inverno? O autoconhecimento começa quando aprendemos a identificar a raiz dos nossos sentimentos, a saber distinguir e entender porque estamos sentindo isso e porque sentimos necessidade de externalizar esse sentimento. Talvez a insegurança esteja em você, e não na mulher de roupa curta, que está mais preocupada em saborear o seu drinque do que em pensar sobre quão cafona é uma mulher que perde seu tempo comentando de outras.


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