A Evolução é a Revolução

 

Nós queremos ser a revolução mas tento as mesmas atitudes e pensamentos do passado. Seria isso mesmo possível? Vez ou outra, nos encontramos em um barzinho, rimos, falamos de trabalho, viagens, sexo, eventos e shows que queremos ir, conversamos sobre o novo curso que pretendemos fazer e sobre aquela nova descoberta sobre o orgasmo masculino  FEMININO. Isso mesmo, estou falando de nós amiga, da nossa vida na “cidade grande”, dos nossos inúmeros erros e acertos nessa caminhada tortuosa e tão diferente da nossa infância no interior desse Brasil.

A gente se sente forte, se sente grande, sente que é mais do que aprendemos que uma mulher deve ser. Mas certa vez você me confessou que estava evitando ir na sua cidade porque sempre as pessoas perguntavam se você estava namorando, sempre tinha um convite para um chá de bebê ou um casamento, ou um chá de fraldas ou alguma boda de alguma coisa. E você se sente triste, e inferior, e achando que a sua vida não deu certo. Eu também silenciei o grupo do colégio porque sempre tinha fotos de bebês, de casamentos, todo mundo muito sério, adulto e profissional, e eu fiquei imaginando como seria se eu colocasse ali uma foto do meu último role astronômico, em que passei três dias com uma calcinha de biquíni em alguma mata paradisíaca perto daqui, com um estudante gringo cinco anos mais jovem. Mas essa não é a minha vida? minha realidade? Por que eu não posso compartilhá-la também? Então as vezes, mesmo sem querer eu me pego julgando o meu comportamento, me perguntando se eu não estou sendo infantil e irresponsável. Festas e “casinhos” são para adolescentes e não mulheres da minha idade. Mas então quer dizer que chega uma data, um marco na nossa vida em que temos que mudar completamente a nossa atitude? Mas onde é que está escrito no livro da vida que aos 30 anos as mulheres têm que ser de determinada forma? Nós devemos abrir mão de prazeres e situações de felicidade porque não são “adequados” para nossa idade? Mas não fomos nós que dissemos quer éramos a revolução? O sonho mais louco das nossas bisavós e avós que se casaram bem antes dos 20 anos, com casamento arranjado? Não fomos nós que compartilhamos exaustivamente o texto do Sri Sri Ravir Shankar que dizia que cada um tem a sua hora e está tudo bem? Não fomos nós que sorrimos aliviadas naquela noite de vinho quando dissemos já não ter medo de ter filhos do sexo feminino porque o mundo enfim está aceitando a mudança, e essa mudança é boa para nós, a mudança liberta e edifica. Nossas filhas vão crescer com bem menos traumas e prisões, dissemos. 

Bem amiga, nós não temos que esperar que nossas filhas vivam sem prisão, nós podemos viver sem elas também. De verdade, em sua essência. Não apenas quando estamos no nosso grupo de amigos, mas no natal com a família e no encontro do pessoal do colégio. Eu sei que todo esse lixo social que engolimos por anos, por ter vivido em uma década muito mais conservadora, e sem muito acesso a informação e trocas que hoje as tecnologias permitem, impedem que estejamos 100% conectadas com a evolução. A desconstrução, assim como o autoconhecimento é constante, é um aprendizado para a vida toda. Mas se queremos mesmo ser a revolução, se queremos mesmo que as novas meninas que estão chegando ao mundo não precisem desconstruir, pois já irão crescer livres, então precisamos impedir de uma vez por todas que nos digam como devemos ser/ estar baseado na nossa idade e não na nossa história. 


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