Coco Before Chanel

Francesca M. Healy

Eu sempre gosto de procurar filmes de mulheres inspiradoras e já faz um tempo que vi Coco Before Chanel e assisti novamente essa semana. Quando eu assisti a primeira vez estava disponível na netflix, mas agora não mais. Para quem se interessou pela história de Sophia Amoruso de Girlboss, com certeza deve assistir esse filme. Gabrielle Chanel, assim como Sophia tem uma história de empreendedorismo de sucesso no mundo da moda, tendo saído do nada.

O filme como o próprio nome sugere conta a história de Gabrielle antes de se tornar o ícone da moda francesa, através da marca Chanel. A primeira coisa que eu gosto muito no filme é que Coco é interpretada pela linda e queridíssima Audrey Tatou de “Amelie Poulain”.

O intuito das minhas resenhas não é necessariamente contar a história do filme mas apontar alguns fatos do universo feminino que me chamam a atenção, me inspiram e me fazem refletir como mulher. Então vamos lá:

  • Abandono do pai: O pai de Gabrielle era um homem ausente, traia a sua mãe e a fazia sofrer. Quando sua mãe morreu ele abandonou as duas filhas com uma tia se não me engano. O filme faz questão de mostrar muitas vezes como esse fato ajudou na construção da mulher que Gabrielle se tornou. ranzinza, mau humorada, forte, desconfiada dos homens, crítica ao amor e o que ele faz com as mulheres que se tornam tolas, submissas e fracas.
  • Um ponto que me chama muito a atenção é: Gabrielle sabia como “se aproveitar” dos seus amantes. No filme mostram dois. Mas lendo sobre sua história, aparentemente foi uma mulher de muitos homens. Ela e sua irmã tinham que cantar em um cabaré anoite e de dia ela trabalhava com costura. Esse fato me leva a reflexão de se isso tira ou não o mérito de Coco e a minha resposta é um grande não. Na verdade, eu nem acho que ela agiu errado em nenhum momento. Era 1910, as mulheres não tinham muitos afazeres a não ser se casarem e serem esposas. Isso claro, para mulheres com família, bens, apoio. Não para órfãs que cantavam em cabarés para sobreviver. A gente vê muitas vezes por aí alguém dizer que uma mulher conseguiu tal coisa com a “ajuda” de um homem. Mas e daí? Você conhece a história dessa mulher as suas chances, a sua trajetória? E a desse homem? Um dos amantes que mostra no filme é o barão Etienne Balsan, que Coco mora na casa boa parte do filme. O homem é um bobão, bêbado, de farras, porém é um herdeiro de uma fábrica de tecidos. Não sei se ser apenas um herdeiro é algo mais digno do que ter comida, casa e ajuda em troca de sexo. Não acho, e também não estou aqui para julgar. Mas uma coisa é certa: Gabrielle era uma mulher muito inteligente e esperta.
  • Mesmo sem dinheiro e de origem humilde Gabrielle não se curva a alta sociedade. Ela era diferente e gostava de ser diferente. Mantinha suas críticas as roupas e excessos das amigas de seu amante e não se importava com o que pensavam ou falavam dela.
  • Coco nunca quis estar a sombra de um homem. Quando ficou insatisfeita com a forma que o barão a tratava por ela precisar viver na sua casa, foi atrás de uma amiga dele que era atriz pedir ajuda para conseguir um emprego. Ela tinha em mente que precisava conquistar sua liberdade e que essa liberdade vinha por meio do seu dinheiro. Quando conheceu seu grande amor Arthur “Boy”, ela viu a chance de ter seu sonho financiado.
  • Gabrielle revoluciona ao colocar o conforto da mulher à frente da aparência. As suas primeiras críticas foram sobre o corselet espartilho, que dificultavam a movimentação das mulheres e até sua respiração. Outra crítica foi sobre a impossibilidade de as mulheres usarem calças, mesmo em atividades como andar a cavalo, que se tornava muito mais difícil com vestidos e saias longos. Também criticou os chapéus usados que eram muito grandes e cheios de penas e outros adereços que se tornavam pesados, dificultavam a visão e até que as mulheres “pensassem com clareza. ” Mas mesmo se inspirando nas roupas masculinas ela conseguiu criar um estilo de roupas elegantes e femininas que conquistaram a época, provando que conforto e beleza podem andar juntos.
  • Sobre a frase da imagem: Gabrielle fala isso com sua irmã quando elas ainda eram cantoras no cabaré. Gabrielle era contrária ao amor, achava que os homens eram tolos e aproveitadores e que o amor deixava as mulheres como um cãozinho adestrado e babão. Ao final, ela acabou se apaixonando, mas não se casou. Mais por questões sociais da época. Mas o filme traz várias frases e pensamentos interessantes sobre esse seu posicionamento. Vale algumas reflexões.

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