Dia Mundial dos Animais

Os animais do mundo existem para seus próprios propósitos. Não foram feitos para os seres humanos, do mesmo modo que os negros não foram feitos para os brancos, nem as mulheres para

Hoje é o dia Mundial dos animais e o objetivo de usar essa frase da escritora Alice Walker (para quem não conhece é a autora do romance “A Cor Púrpura”,  premiado com o Prémio Pulitzer de Ficção, e deu origem a um filme dirigido por Steven Spielberg, com a atriz Whoopi Goldberg no papel principal – se ainda não assistiu fica a dica) é apenas promover uma reflexão. Nós estamos cada dia mais distantes da natureza e por isso nos acostumamos com a vida “empacotada”, “congelada” e nem sequer pensamos os impactos dos nossos hábitos sobre o planeta. Eu nem vou falar aqui de maus tratos, rodeios, testes em animais ou o uso dos mesmo para confecção de roupas e outros acessórios porque isso para mim não é nem passível de reflexão, é crime mesmo! Eu vou falar um pouco do consumo para a alimentação pois sei que esse é um hábito/cultura mais complicado para ser mudado.

Acredito que poucas pessoas tiveram a chance que eu tive de crescer em uma cidade pequena e passar a maior parte dos seus finais de semana em uma roça. Eu tinha uma égua chamada Mimosa e uma das minhas maiores alegrias era dar banho nela no rio que cortava a terrinha do meu pai. Nós também tínhamos algumas vaquinhas, mas essas eu observava de longe porque eu tinha medo (eu sempre achei que meu medo era por causa da música “O menino da porteira”- Sérgio Reis), mas ainda assim meu coração doeu quando vi uma vez marcarem o gado com o ferrete. Quando nós acabamos comendo todas as codornas que criávamos eu fiquei bem triste de não ouvir mais o “piu-piu” porque eu sempre ia lá alimentá-las ou pegar uns ovos. Uma vez vi matarem a galinha no quintal de casa para o almoço, vi cortar o pescoço e tirar o sangue. Eu não comi galinha naquele dia. Uma vez também vi matarem um porco para as festas de final de ano no quintal da minha avó. Nunca vi um animal gritar tanto. Eu também não comi porco naquele dia. Eu estou bem longe do vegetarianismo e talvez nunca me torne uma praticante, mas sempre é possível refletir sobre o nosso consumo. Eu nunca fui uma grande consumidora de carnes, não apoio rodízios pois eu acho um grande desperdício (e aqui digo de qualquer coisa mesmo. Rodízios geram sobras, essas sobras não voltam para os pratos e também não podem ser doadas a quem precisa pois existe uma legislação que impede isso. Dessa forma, você está ajudando a consumir mais recursos, além de contribuir para que as coisas se tornem mais caras).

Na minha infância a gente via a carroça chegar do matadouro no mercado central com a “carcaça” do animal. Os pedaços de carne ficavam dependurados em ganchos, expostos. Ás vezes era praticamente todo o corpo do bicho exposto apenas com um enorme corte na barriga onde foram tiradas as vísceras. Eu não gostava de ir no mercado com a minha mãe. Eu não gostava de passar na sessão de carnes. Hoje, eu moro na cidade grande a mais de 10 anos. Não tenho mais nenhum contato com bichos, nem de estimação. Quando vou no mercado vejo aquelas bandejinhas bonitas e plastificadas, nem parece que aquilo foi um bicho. Ou as vezes vou no restaurante e aquele almoço está tão bem feito, nem parece que em alguma etapa da cadeia produtiva existe aquele porco gritando, aquela galinha com o pescoço escorrendo sangue ou aquela carroça de carcaça na porta do mercado. Eu nem percebo o que estou consumindo.

Esse texto não tem a menor intenção de condenar o consumo de carnes ou de exaltar o vegetarianismo. Ele tem como única intenção a reflexão. Nesse blog eu busco um autoconhecimento e um crescimento pessoal (e coletivo se alguém quiser vim comigo), a intenção é essa. A partir de hoje e dessa postagem eu irei aderia a campanha “Segunda sem carne”, provavelmente todos vocês já ouviram falar, senão: “A Segunda sem Carne é uma campanha da Sociedade Vegetariana Brasileira, em parceria com a Secretaria do Verde e do Meio-ambiente da Prefeitura de São Paulo. O objetivo é incentivar a redução do consumo de carne e apoiar diretrizes emitidas pelo Ministério da Saúde. A Campanha Segunda Sem Carne se propõe a conscientizar as pessoas sobre os impactos que o uso de produtos de origem animal para alimentação tem sobre  os animais, a sociedade, a saúde humana e  o planeta, convidando-as a tirá-los do prato pelo menos uma vez por semana e a descobrir novos sabores.”


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