Limites e Amor Próprio

Nós escutamos a vida inteira que devemos superar nossos limites e que os limites estão na nossa mente. Eu concordo parcialmente com essas afirmações. Os limites existem sim,  não estão apenas na nossa mente, mas eles realmente não são estáticos, é possível superá-los, e é ótimo se você quiser superar, se for importante para você, mas tá tudo bem se não quiser também.

Semana passada eu postei um treino no domingo dizendo: “Quem disse que domingo é dia de descanso? Descanso é quando o corpo pede (o que vale para a mente também, apesar de pelo menos comigo, as vezes cansar o corpo serve para descansar a mente, já que ela é muito acelerada e tenho dificuldade de mantê-la com poucos pensamentos). Porém, acho que nem todo mundo entendeu o que eu quis dizer. O que eu quis dizer é que não existe um roteiro, você não TEM que descansar no domingo e nem TEM que começar sua dieta na segunda. Você precisa tomar suas decisões e atitudes quando SENTIR necessidade para isso. Se você quiser um objetivo de longo prazo, se você quiser criar um hábito e não uma obrigação. E qual a diferença?

Charles Duhigg no seu livro O poder do Hábito fala que um hábito é uma hábito quando ele se torna automático. O seu cérebro “não pensa” para realizá-lo. Resumindo nós pensamos e fazemos muitas atividades diariamente, isso sobrecarrega o coitado. Por isso quando ele “percebe um padrão”, isso é outra coisa que o cérebro humano adora, “Padrões”. Enfim, ele joga aquela ação para uma parte do nosso cérebro que exige menos energia, é o tal do automático. E essa é a grande diferença. O hábito esta enraizado, não exige muito esforço, não exige grande energia, não exige muito trabalho por parte do seu cérebro para realizá-lo. Diferente de uma atitude que é uma obrigação. Mas todo hábito antes de se tornar um hábito, era uma obrigação, é por isso que o início de uma nova atividade sempre é difícil, sempre requer mais esforço, mais disciplina, até entrar no automático.

Retornando para o vídeo então, foi por isso que eu falei sobre o descansar quando você PRECISAR. Eu pratico atividade física há anos, como eu já falei aqui ela é um hábito na minha vida, eu nem penso antes de colocar a roupa de academia e ir. Não é um esforço, não é uma obrigação. As vezes eu estou meio indisposta, quem não? E repenso se vou ou não e preciso FAZER UM ESFORÇO para ir, porque nossos hábitos são influenciados por outras variáveis. Uai mas não era automático? Acontece que é automático para digamos “condições normais” pequenas alterações não geram grande influência mas se você adicionar novas variáveis ou não conseguir controlar todas, vai influenciar no seu hábito sim. Se você quiser ou for muito importante para você, você pode sim controlar essas variáveis mas primeiro você precisa identificá-las e conhecê-las bem. E no meu ponto de vista, talvez elas sejam aquele limite que você deve respeitar.

Muitas vezes quando você tem um hábito, deixar de fazê-lo um ou dois dias, não vai mudar esse hábito. Porque como ensina no próprio livro, para você “quebrar um hábito você precisa alterar o “loop do hábito” e esperar o tempo para se criar um novo hábito. Então não há necessidade de desgaste físico e mental para uma “superação” se logo as coisas voltaram ao normal sem esforço nenhum. Por exemplo, eu tenho um ciclo menstrual muito específico. Na TPM eu me sinto mais insegura, meio depressiva, com dores nas articulações, sem disposição, então normalmente eu não vou treinar. Eu poderia me esforçar e ir, mas eu sei que eu não domino essa variável e que o hábito deixaria de ser um hábito nesse momento, para ser uma obrigação, então eu respeito os limites do meu corpo, porque eu sei que logo depois eu vou voltar ao normal sem nenhum dano na minha rotina e nem no meu corpo e ainda sem ter desgastado a minha mente nesse processo. Ninguém emagrece da noite pro dia, assim como ninguém perde anos de dedicação em um ou dois dias que você saiu do seu hábito. Muitos dos nossos resultados tanto positivos como negativos estão na nossa mente. Quando você come algo com culpa, ou se culpa por ter deixado de treinar a chance do seu corpo responder negativamente a isso é muito maior, se você levar de forma natural, pode ser que ele nem perceba a variação. Se superar é ótimo mas respeitar alguns limites do seu corpo/mente também é uma forma de amor próprio.


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