Padroniza o meu armário

padrão

Essa semana foi dia dos solteiros e vi um ou outro post dizendo que: “Só estava comemorando o dia dos solteiros porque estava encalhada”, ou “que estava comemorando, mas está doida para namorar”, ou pior: “Que na verdade todo mundo pegava, mas ninguém queria assumir”. O mais estranho e familiar disso tudo é o que a gente já sabe: Nenhuma dessas piadas utilizava o masculino, apenas o feminino.

Ser um homem solteiro nunca será motivo de piada porque não é o estado “solteiro” que é negativo. O negativo está no feminino. Sempre no feminino. Vocês com certeza já perceberam isso. São as cores, as roupas, os gostos, os filmes e até o estado civil que se associados ao feminino passam a carregar um lado negativo. De onde vem toda essa negatividade? Pior: Porque aceitamos por tanto tempo isso?

É certo que a sociedade demora muito tempo para evoluir. Muito mesmo. Para ser bem sincera a quebra de padrão não é algo tão demorado. A maioria dos estudos diz que menos de um mês é o suficiente para você conseguir reprogramar o cérebro. Então porque as coisas demoram tanto para mudar? Acredito primeiramente no silêncio dos bons. Aquelas pessoas que pelas suas experiências de vida e maior sede de conhecimento atingiram um certo grau de evolução e quebraram padrões mas preferiram se silenciar. O conhecimento é um instrumento maravilhoso quando compartilhado. Mas é muito comum que as pessoas mais evoluídas se tornem mais caladas. Porque se expressar ao mundo gera conflitos constantes e isso abala o estado espiritual que elas tanto valorizam. Hoje, esse fato parece estar mudando bastante. Vejo que cada vez mais as pessoas estão encontrando formas de se expressar, inclusive pela maior facilidade de encontrar semelhantes no meio virtual, que estão fora do seu círculo natural.

O segundo motivo creio que seja que os padrões sociais servem para segregar um grupo. Quando você diz que é triste, feio, digno de pena, uma mulher solteira e ainda cria palavras de teor pejorativo para enfatizar a negatividade de tal situação como: “solteirona”, “encalhada”, “ficou para a titia”, você automaticamente está dizendo que o outro grupo é melhor, mais bem-sucedido e vitorioso que o primeiro. As pessoas que se encontram nesse grupo começam a se sentir felizes e satisfeitas, porque é natural que ao ser admirado você se sinta bem. Por outro lado, as mulheres do primeiro grupo começam a “achar” que tem algo errado com elas. Elas começam a pensar que são mesmo infelizes e que para serem felizes e satisfeitas precisam ser como o primeiro grupo. Então agora o grupo não é mais segregado apenas pelos homens, mas pelas próprias mulheres o que dificulta em muito quebrar o padrão.

Algo que me incomoda é que a negação do padrão é apenas uma forma de criar um novo padrão e isso não funciona muito bem.  Talvez sirva para as pessoas refletirem mas continua a segregar o grupo. Por exemplo, uma mulher que ESCOLHE abrir mão de sua carreira para cuidar da casa pode ser mal vista por algumas mulheres do movimento feminista que “quebraram” o padrão de mulher do lar. Uma mulher que ESCOLHE seguir aos padrões estéticos pode ser criticada por aquelas que resolveram “quebrar” esse padrão. O ataque deve ser ao sistema, a quem lucra com isso, para que crie campanhas que enfatize a diversidade e o poder de escolha. E não as mulheres. Porque assim, no meu ver, você está apenas criando um novo padrão: “As mulheres precisam priorizar suas carreiras e não fazer procedimentos de beleza”. Como diz Mr. Catra: “Deixa as pessoas. ”

A forma como eu procuro lidar com tudo isso é: Se sim tudo bem, mas se não tudo bem também. Para mim e para os outros. A principal questão é estar em paz com a situação atual mesmo que queira mudá-la. A questão é: Não existe um grupo de mulheres inferiores a outro baseado no estado civil. Se estão em um relacionamento tudo bem, mas se não tudo bem também. Se não estão não cabe a você o julgamento da sua felicidade ou do seu valor. As pessoas podem se reinventar e ser felizes de diversas formas. Se não estão, mas querem estar que busquem essa realização por si mesmas e com a consciência de que ao conseguir não estarão em um grupo privilegiado, não serão melhores do que outras mulheres. O seu desejo e a sua felicidade deve ser algo pessoal e intrínseco e não um padrão. A sua realização pessoal te torna melhor para você não para os outros e muito menos do que os outros.


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